Gestão Financeira

15/11/2025

Antes de pensar na empresa,      pense no seu bolso!


A gestão começa em casa


Um empresário nunca terá uma boa gestão financeira no negócio se não tiver uma boa gestão financeira pessoal.


O cenário brasileiro em 2025

Mesmo com mais acesso à informação, os números ainda mostram um país com baixa maturidade financeira


💳 Endividamento e inadimplência

  • 79,2% das famílias brasileiras estão endividadas, maior índice desde 2022

  • 30,5% estão negativados, ou seja, com contas em atraso

  • 13% das famílias não têm condições de pagar suas dívidas

💸 Cheque especial

  • 31% dos brasileiros usam o cheque especial ao menos uma vez por mês (linhas de crédito mais caras e perigosas)

  • 7% dos usuários usaram o limite por não perceberem que estavam no cheque especial

🏦 Bancarização

  • 82% da população brasileira tem conta bancária, segundo o Banco Central

  • Isso significa que cerca de 18% ainda estão fora do sistema bancário tradicional

📈 Investimentos

  • 59 milhões de brasileiros investem em produtos financeiros, cerca de 37% da população

  • A poupança ainda é o investimento preferido de 21% dos brasileiros, apesar da baixa rentabilidade

  • Apenas 10% da população investe regularmente em produtos financeiros diversificados

Esses dados mostram que a falta de controle financeiro pessoal continua sendo um dos maiores obstáculos para o crescimento sustentável tanto da vida quanto dos negócios.


Por que separar o pessoal do empresarial?

Como pequeno ou médio empreendedor, é essencial cuidar das duas vidas financeiras, a pessoal e a da empresa.
Essas duas dimensões devem caminhar em paralelo,
mas nunca se misturar.

A separação traz clareza e permite identificar com precisão os vilões financeiros que comprometem o orçamento. Assim, você ganha controle, evita confusões e constrói uma base sólida tanto para sua vida pessoal quanto para o crescimento do negócio.

💡 Resumo prático: quem separa as finanças, enxerga melhor os problemas e encontra soluções com mais rapidez.


📋 Exemplos comuns de mistura entre finanças pessoais e empresariais

  • Pagar o supermercado da família com o cartão da empresa
     Esse gasto será classificado como "uso e consumo" da empresa, quando na verdade deveria ser registrado como Retirada de Lucro ou Pró-labore.

  • Usar o caixa do negócio para quitar dívidas pessoais
     Essa prática reduz artificialmente o lucro da empresa e distorce os resultados financeiros.

  • Receber em dinheiro e não registrar no sistema por estar com pressa
     A falta de registro compromete o controle do fluxo de caixa e gera inconsistências contábeis.

  • Cobrir um problema da empresa com a reserva pessoal
     Essa atitude pode ser interpretada como receita descoberta, chamando a atenção do fisco e aumentando riscos tributários.

🤔 Reflita com sinceridade

  • Você já tirou dinheiro do caixa da empresa para pagar uma conta pessoal?

  • Já recebeu em dinheiro vivo ou cheque e não registrou no caixa por estar resolvendo algo pessoal?

  • Já usou sua reserva pessoal para cobrir um problema da empresa?

💡 Resumo prático: Misturar finanças pessoais e empresariais gera confusão, reduz a clareza dos resultados e pode trazer sérios problemas fiscais e de gestão.

⚠️ O risco da confusão

Sem uma gestão financeira pessoal clara, torna-se impossível distinguir:

  • O que é dinheiro da empresa e o que é seu dinheiro

  • O que são gastos da empresa e o que são gastos pessoais

E aí surge a pergunta que poucos conseguem responder com segurança:

👉 No fim do mês, você sabe se sua empresa realmente deu lucro?

Se a resposta for "não sei", é sinal de que as finanças estão misturadas — e isso pode comprometer seriamente o futuro do negócio.

💡 Finanças pessoais: o alicerce de tudo

Ao organizar sua gestão financeira pessoal, você passa a:

  • Conhecer seu perfil financeiro

  • Planejar suas despesas fixas e eventuais

  • Criar um Calendário do Dinheiro para visualizar entradas e saídas

  • Estabelecer metas e prioridades

  • Construir uma reserva de emergência e iniciar seus investimentos

💬 Resumo prático: Quem domina as finanças pessoais constrói a base para uma empresa saudável e sustentável.

A distinção entre vida pessoal e profissional é um desafio constante, especialmente para empreendedores que acumulam múltiplas responsabilidades. As demandas pessoais não param durante o expediente, e as obrigações da empresa frequentemente invadem o espaço doméstico.

Nesse cenário, separar finanças pessoais e empresariais deixa de ser apenas uma recomendação: torna-se uma linha tênue e decisiva entre o sucesso e o fracasso de um negócio.

Empreender demanda disciplina, clareza e domínio sobre os recursos financeiros. E esse domínio começa, inevitavelmente, pela forma como o empresário administra suas próprias finanças.

Agora que você já compreende a relevância de separar a gestão pessoal da empresarial, é hora de agir e dar o primeiro passo que é organizar suas finanças pessoais.


Gestão Financeira Pessoal:
O 1º passo para empreender com segurança

Antes de pensar em lucro, expansão ou investimento, é preciso olhar para dentro:
Como você lida com o seu próprio dinheiro?

A gestão financeira pessoal é basicamente estruturada sobre dois pilares fundamentais:

  • Receitas: todo dinheiro que entra como salário, comissões, aluguéis, bônus, direitos autorais, dividendos

  • Despesas: tudo o que sai como contas fixas, gastos eventuais, obrigações legais e investimentos

* É importante saber que para tributos o valor calculado é a Receita Bruta, ou seja, tudo que recebe de renda sem desconto algum.

Com essas informações é possível criar o Calendário do Dinheiro, uma ferramenta visual que permite mapear entradas e saídas ao longo do mês, antecipar desequilíbrios e tomar decisões com clareza. 


📆 Montando seu Calendário do Dinheiro 


Etapa 1: Mapeie suas receitas

  • Identifique todas as fontes de renda

  • Classifique como fixas ou variáveis

  • Anote as datas de recebimento

  • Estime médias para valores flutuantes

    Etapa 2: Mapeie suas despesas

  • Anote os vencimentos e valores no calendário
  • Inclua as eventuais (IPVA, viagens, parcelamentos, manutenção)

  • Liste todas as despesas fixas (aluguel, energia, supermercado, combustível)

  • 💡 Dica de ouro: não subestime os gastos pequenos e esporádicos. Eles são os vilões invisíveis do orçamento.  


    Exemplo prático de Julião


    Julião estava radiante. No mês anterior, pingaram R$ 5.500,00 na conta:

    • R$ 3.000,00 em comissões

    • R$ 2.000,00 por serviços prestados

    • R$ 500,00 de aluguel

    Era como se o universo tivesse dito: "Você está no caminho certo." Mas o cérebro de Julião acreditou que esse valor seria o novo padrão e o bolso começou a obedecer.


    Gastos do mês:

    • No mês anterior já havia gastado R$ 250,00 com mimos e lanches
    • Dia 2: Foi ao mercado com fome e empolgação, encheu o carrinho com tudo que queria e R$1.500,00 voaram sem dó.
    • Dia 3: Pagou o aluguel de R$1.800,00.
    • Dia 7: A conta de luz foi paga em R$ 400,00 e encheu o tanque do carro com R$ 400,00.
    • Dia 8: Água e internet bateram à porta: R$ 200,00 + R$100,00.
    • Dia 10: O plano de celular levou mais R$ 75,00.
    • Dia 12: O susto. O dinheiro tinha acabado. E o cartão de crédito, esquecido, estava em R$1.500,00.


    Reflexões que o mês deixou:

    • Comissão é renda variável, não pode ser tratada como se fosse fixa.

    • Pequenos gastos somados viram grandes problemas.

    • A falta de organização nos faz esquecer das obrigações.

    • As datas são nossas aliadas e é através delas que vamos dominar o fluxo de caixa


    Vamos ajudar Julião a se acertar?


    Etapa 1 Mapear as Receitas

    • Dia 15: Comissão recebida do mês atual R$ 2.000,00

      • A Média dos últimos 6 meses deu R$ 1.808,33

      • Ele passa a planejar com base na média, não no valor cheio

    • Dia 18: Serviços prestados no valor de R$ 2.000,00 (fixo)

    • Dia 30: Aluguel mensal de R$ 500,00

    Total previsto para o mês: R$ 4.500,00
    Total seguro para planejamento: R$ 4.308,33 (usando a média da comissão)

    Etapa 1 Mapear as Despesas

    • Dia 2 I Gastos com Mercado, mantendo o padrão de vida abaixo do que recebe R$1.000,00
    • Dia 3: Pagou o aluguel de R$1.800,00. (Caso o problema fosse maior deveria ver um aluguel mais barato)
    • Dia 7: A conta de luz foi paga em R$ 400,00 (Verificar formas de diminuir gastos com Luz)
    • Dia 7: Combustível R$ 400,00 (Verificar alternativas para diminuir o consumo se for necessário).
    • Dia 8: Água e internet bateram à porta: R$ 200,00 + R$ 100,00.
    • Dia 10: O plano de celular levou mais R$75,00.
    • Dia 12: Cartão de Crédito. Repare que as receitas ocorrem a partir do dia 15, mas o cartão esta vencendo no dia 12. É necessário alterar essa data para o final do mês.

    Plano de Ação: Calendário do Dinheiro de Julião 


     Dia 12, Julião esgotou todos os seus recursos. Mas agora sabemos que, no dia 15, ele recebe a comissão do mês, no valor de R$ 2.000,00.
    Para evitar que a situação vire uma bola de neve, ele precisa quitar a diferença pendente, o que deixará um saldo de R$ 3.775,00.

    Com os levantamentos, sabemos que Julião tem um custo fixo mensal de R$ 3.975,00, então ele já entendeu que não pode dar bobeira nos próximos meses.

    Nesse caso hipotético, não é difícil resolver a situação financeira de Julião, sendo necessário uma melhor organização financeira.

    📆 Calendário do Dinheiro — Mês Organizado

    • Dia 02: Início do ciclo de despesas. Vai ao mercado e gasta R$ 1.000,00 → Saldo restante: R$ 2.775,00

    • Dia 03: Paga o aluguel de R$ 1.800,00 → Saldo restante: R$ 975,00

    • Dia 07: Paga a conta de luz R$ 400,00 → Saldo restante: R$ 575,00

    • Combustível: Em vez de encher o tanque, decide abastecer R$ 100,00 por semana → Após a primeira semana, saldo: R$ 475,00

    • Dia 08: Paga água, internet e plano de celular no total de R$ 375,00 → Saldo restante: R$ 100,00

    • Dia 15: Recebe R$ 1.700,00 de comissão → Ainda não é possível guardar dinheiro, mas ele já sabe: nos meses em que receber acima de R$ 1.800,00, o excedente será destinado à Reserva → Saldo atualizado: R$ 1.800,00

    • Dia 16: Gasta R$ 300,00 com combustível (3 semanas restantes) → Saldo restante: R$ 1.500,00

    • Dia 18: Recebe R$ 2.000,00 pelos serviços prestados → Saldo atualizado: R$ 3.500,00

    • Dia 28: Nova data de vencimento do cartão. Quita a dívida de R$ 900,00 → Saldo restante: R$ 2.600,00

    • Dia 30: Recebe R$ 500,00 de aluguel → Fecha o mês com R$ 3.100,00 em caixa


    Veja que com pequenas mudanças de datas e redistribuição de despesas já é possível resolver muita coisa.


     Conseguiu perceber os perfis financeiros que o Julião passou?
    O perfil não é estático. Devemos aprender pra melhorar e praticar pra não voltar aos perfis indesejados.  

    💸 Despesas Fixas vs. Despesas Eventuais 

    🔹 Despesas Fixas: o que sempre volta

    São aquelas que aparecem todo mês, com valores semelhantes e datas previsíveis. Mesmo que o valor oscile um pouco, elas fazem parte da rotina e precisam estar no seu planejamento.

    Exemplos:

    • Aluguel ou financiamento

    • Energia elétrica

    • Supermercado

    • Combustível

    • Plano de celular

    • Internet

    💡 Dica prática: Liste todas as despesas fixas e anote a data de vencimento no seu Calendário do Dinheiro. Elas são a base do seu orçamento.

    🔸 Despesas Eventuais: o que aparece e some

    São gastos que não ocorrem todo mês, mas que vão aparecer em algum momento. Elas podem ser parceladas ou únicas, e muitas vezes são esquecidas, até que estouram o orçamento.

    Exemplos:

    • IPVA e IPTU

    • Manutenção do carro

    • Compra de celular parcelado

    • Viagens, presentes, cursos

    • Multas, taxas, imprevistos

    💡 Dica prática: Crie uma aba no seu calendário só para despesas eventuais. Isso evita sustos e permite que você se prepare com antecedência.

    Por que essa diferença importa?

    • Despesas fixas definem seu custo de vida mensal

    • Despesas eventuais exigem reserva e planejamento

    • Misturar as duas pode gerar a falsa sensação de que "está tudo sob controle"


    Vamos praticar com os dados apresentados de Julião


     Despesas Fixas:

    • Mercado: R$ 1.000,00
      Embora o valor não seja exatamente igual todos os meses, é um gasto recorrente.
      👉 É importante calcular uma média mensal para planejar com segurança e evitar sustos.
    • Aluguel: R$ 1.800,00
    • Energia elétrica: R$ 400,00
    • Água: R$ 200,00
    • Internet: R$ 100,00
    • Plano de celular: R$ 75,00
    • Combustível: R$ 400,00
      👉 Tanto o mercado quanto o combustível podem ser distribuídos semanalmente, o que ajuda a manter o caixa equilibrado até o próximo recebimento.

    🔸 Despesas Eventuais:

    • Cartão de crédito: R$ 900,00
      👉 Muita atenção para que essa dívida não vire uma despesa fixa disfarçada.
    • Presentes e lanches: R$ 250,00
      👉 Gastos pequenos, quando somados, podem virar uma bola de neve.
    • IPVA e IPTU
      👉 Embora sejam recorrentes (anuais), não são mensais.
      👉 O ideal é planejar e dividir o valor em 12 parcelas mensais, criando uma reserva específica, mas falaremos disso mais adiante.

    O que é capital de giro?


     Capital de giro é o valor necessário para manter o funcionamento financeiro do mês, cobrindo as despesas até que as receitas entrem. Ele garante que Julião consiga pagar suas contas sem depender de crédito ou entrar no vermelho.

     Analisando o caso de Julião, vemos que, somando todas as despesas fixas, temos um total de R$ 3.975,00. Porém, aprendemos anteriormente que é possível distribuir algumas despesas, como mercado e combustível, ao longo do mês.

    Como o primeiro pagamento do mês cai no dia 15, podemos dividir o gasto com mercado e combustível em duas quinzenas, o que reduz a necessidade de caixa no início do mês.

    Com isso, o Capital de Giro necessário para manter o fluxo de despesas até a primeira receita é de R$ 3.275,00. Esse valor garante que Julião consiga honrar seus compromissos até o dia 15, sem recorrer a crédito ou entrar no vermelho. 


    🛡️ Reserva Emergencial Mínima (REM) 


     A Reserva Emergencial Mínima (REM) é uma forma de se proteger de imprevistos, como um cano estourado, um chuveiro queimado ou qualquer outra despesa inesperada.

    Se você gasta tudo o que recebe, quando o imprevisto acontecer, e ele vai acontecer, a única saída será recorrer a empréstimos ou créditos. E com eles vêm os juros, as multas e uma passagem só de ida para o perfil financeiro de alto risco.

    A REM funciona como um escudo do fluxo de caixa, ela protege contra meses fracos, emergências e sustos que podem virar dívidas.

    -Sem ela, qualquer tropeço vira dívida.
    -Com ela, Julião dorme tranquilo.

    📊 Como calcular a REM de Julião

    A REM ideal é equivalente a 6 vezes o custo fixo mensal.

    • Despesas fixas mensais de Julião: R$ 3.975,00

    • REM ideal: R$ 3.975,00 × 6 = R$ 23.850,00

    Esse é o valor que Julião precisa acumular para ter tranquilidade financeira por 6 meses, mesmo que não entre nenhum real de receita.

    IPEs — Investimentos em Projetos Específicos

    Os IPEs são investimentos direcionados a metas de curto, médio ou longo prazo. Eles não precisam ter liquidez imediata, pois são pensados para atender objetivos futuros, como viagens, imóveis, automóveis, cursos ou projetos pessoais.

    Esses investimentos funcionam como "reserva dos sonhos", cada reserva com um destino claro e um prazo definido. Você pode aplicar em títulos com vencimento programado, fundos específicos ou até mesmo poupança separada, desde que respeite o objetivo.

    Exemplo: Julião quer trocar de carro em 2 anos. Ele pode criar um IPE com aportes mensais e aplicar em um investimento com liquidez programada para esse prazo.

    Estratégia prática para construir a REM
    Não precisa guardar tudo de uma vez. Na verdade isso seria impossível na maioria dos casos. Devemos construir a REM aos poucos, com disciplina e estratégia:

    1. Planejar com base na média da comissão

    • Média: R$ 1.808,33

    • Se receber acima disso, o excedente vai direto para a REM

    2. Usar o aluguel como reforço

    • O valor de R$ 500,00 recebido no dia 30 pode ser destinado à reserva, já que as despesas do mês já foram cobertas

    3. Evitar transformar o cartão em despesa fixa

    • Ao quitar a dívida e controlar os gastos, ele libera espaço para poupar

    4. Criar uma meta mensal de aporte

    • Exemplo: guardar R$ 50,00 que seja por mês. (Lembrando que quanto menor o valor, mais tempo levará para criar a reserva ideal)

    • Mas digamos que seja possível guardar R$500,00/mês. Em 12 meses, terá acumulado R$ 6.000,00, o que garante um mês e meio de despesas fixas.

     PIPA — Plano Ideal Para Aposentadoria

    O PIPA é um investimento pensado para garantir que você possa viver o restante da vida com qualidade. Quem não cuida bem dessa fase, certamente enfrentará dificuldades lá na frente — e muitas delas poderiam ser evitadas com planejamento.

    💡 Dica de ouro

    As pessoas estão vivendo cada vez mais. A longevidade exige mais recursos para que possamos viver bem por mais tempo. Por isso, o PIPA é fundamental para garantir sua saúde financeira no futuro.

    Aqui, você investe sem a intenção de resgatar nenhum valor até que chegue a aposentadoria. É um plano de construção sólida, pensado para o futuro 

     No início, é realmente difícil começar a investir.
    Na maioria dos casos, isso exige uma redução do padrão de vida para reiniciar as estratégias financeiras com foco e propósito.

    Mas o primeiro passo é simples: COMEÇAR.
    Não tenha medo, não tenha vergonha. Apenas dê o primeiro passo.
    Com o tempo, você vai entender melhor, ajustar sua estratégia e colher os frutos da disciplina.

    📊 Distribuição recomendada por faixa etária
    Financistas do mundo inteiro orientam que o equilíbrio entre proteção, conquista e futuro deve mudar conforme a idade.
    Veja abaixo uma sugestão de distribuição entre os três pilares:

    Até 24 anos 40% REM / 40% IPE / 20% PIPA
    De 25 a 35 anos 35% REM / 40% IPE / 25% PIPA
    De 36 a 45 anos 30% REM / 35% IPE / 35% PIPA
    De 46 a 55 anos 25% REM / 25% IPE / 50% PIPA
    Acima de 56 anos 20% REM / 20% IPE / 60% PIPA

    Quanto mais jovem, mais foco em proteção e projetos.
    Quanto mais maduro, mais foco na aposentadoria.


    🧮 Na prática funciona assim:

    Julião tem 28 anos, então se enquadra na distribuição: 35% REM / 40% IPE / 25% PIPA
    Todo valor que ele decidir separar para reserva deve ser distribuído com base nessas porcentagens.

    💰 Exemplo: Julião decidiu guardar o valor do aluguel de R$ 500,00

    🔹 35% / Reserva de Emergência (REM): R$ 175,00
    Esse valor deve ser investido em aplicações de liquidez imediata, ou seja, que podem ser resgatadas a qualquer momento.
    Exemplos:

    • CDBs com liquidez diária (os famosos "porquinhos" dos bancos digitais)

    • LCI e LCA com resgate rápido

    • Contas digitais que rendem automaticamente


    🔸 40% / Investimentos em Projetos Específicos (IPE): R$ 200,00
    Esse valor é destinado a metas de curto ou médio prazo, como a troca de carro.
    Deve ser investido em produtos com rentabilidade superior aos de liquidez imediata, e com retirada programada para o futuro.
    Exemplos:

    • Fundos imobiliários

    • Tesouro IPCA com vencimento alinhado ao projeto

    • CDBs com prazo fixo e rentabilidade maior


    🔸 25% / Plano Ideal Para Aposentadoria (PIPA): R$ 125,00

    Esse valor é para o longo prazo, com foco na aposentadoria.
    Deve ser investido sem intenção de resgate por pelo menos 20 anos.

    Exemplos:

    • Ações de empresas sólidas

    • Fundos de previdência privada

    • ETFs e fundos imobiliários com foco em crescimento

    Julião distribui sua reserva com inteligência:
    Protege o presente (REM), conquista metas (IPE) e garante o futuro (PIPA).


    📌 Um lembrete importante: mantenha seu controle financeiro em dia

    O controle financeiro é o pilar de uma boa saúde financeira.
    Mais importante do que saber quanto se ganha ou quanto se gasta é entender como se gasta.

    Agora que você já compreende a estrutura da gestão financeira pessoal e conhece estratégias para investir seu dinheiro ao longo dos anos, chegou a hora de dar o próximo passo:

    Escolher uma ferramenta para aplicar seu controle financeiro.

    Pode ser uma planilha, um aplicativo, um caderno ou até mesmo o seu próprio Calendário do Dinheiro.
    O importante é que você acompanhe, registre e analise suas finanças com regularidade.

    Quem controla, evolui.
    Quem ignora, repete os mesmos erros.


    📚 Resumo do que aprendemos

    Espero que você tenha terminado esta leitura alguns degraus acima na sua jornada financeira. Vamos recapitular os pontos principais:

    • Separar finanças pessoais e empresariais
       Essa prática traz clareza, ajuda a identificar os vilões financeiros de cada lado e ainda reduz riscos fiscais.

    • Faturamento é tudo que você recebe
       Controlar as datas de entrada é essencial para conciliar com as despesas e evitar recorrer a cartões ou empréstimos desnecessários.

    • Despesas: fixas e eventuais

      • As fixas mostram seus gastos recorrentes e precisam ser mapeadas junto às receitas para manter equilíbrio.

      • As eventuais exigem atenção redobrada, pois são justamente elas que podem se transformar nas grandes vilãs do orçamento.

    • Reservas são imprescindíveis
       Não importa a situação atual: a vida é feita de altos e baixos. Aproveite os períodos de alta para se preparar e não se perder nas baixas.

    💬 Resumo prático: Clareza, disciplina e reservas são os três pilares que sustentam uma vida financeira saudável e um negócio próspero.

     

    No próximo artigo tratarei da Gestão Financeira Empresárial
    Está comigo? Assim que finalizar eu disponibilizo aqui.


    Agradeço a companhia de todos vocês, vamos tomar um café e em breve aprender mais sobre o fantástico mundo financeiro.